Este assunto tão importante deve e pode ser falado durante a gravidez e até antes da concepção, quando a mulher (ou o casal) decide estar disponível para receber filhos. 
Na nossa cultura, o parto está associado à dor e esta conotada como assustadora, aflitiva, dolorosa e incapacitante, levando-nos a reter imagens de mulheres aos gritos a necessitarem urgentemente de socorro, a serem deitadas, imobilizadas e comandadas por um médico. 


É exactamente aqui que o padrão deve mudar, que a perspectiva deve ser revista e a programação cerebral refeita. O parto é um momento fisiologicamente natural e que deve ser tratado com naturalidade, reforçando o poder da mulher sobre o seu corpo e respeitando o tipo de parto que pretende=o que sente (é importante validar a intuição de uma mulher). Antes desta escolha, a mulher deve procurar o máximo de informação possível, para que os velhos conceitos sejam esclarecidos e novas perspectivas sejam também conhecidas. 


A dor é uma guia: ajuda a mulher a compreender o funcionamento do seu corpo; a situar-se nos estádios do parto e ajuda o corpo a preparar-se para a expulsão do bebé. Patologias e problemas de maior à parte, numa situação em que a mulher está consciente do processo, o bebé está saudável e não há a necessidade de recorrer a uma cesariana, até os partos pélvicos podem acontecer naturalmente pela vagina e inclusive na água. 

Em 1933 já o ginecologista britânico Grantly Dick-Read no excelente livro Childbirth Without Fear (até à data não conhecemos traduções para português), esclarece que a dor excessiva no parto se deve a tensão muscular decorrente do medo. 

Portanto, a forma como o medo e a dor se consubstanciam no corpo deve ser objecto de estudo para que seja mais natural a sua presença. A consciência sobre a forma como o medo actua no corpo da grávida ajuda-la-á a controlá-lo, de forma a criar uma estrutura de confiança e de entrega ao processo do parto. Assim, a mulher opta por um caminho de encontro consigo mesma e de profunda ligação com o seu bebé. Esta consciência aliada à respiração profunda e aos exercícios de relaxamento podem contribuir para que o corpo não entre em tensão e tenha espaço para fazer o que instintivamente sabe fazer: encaminhar o bebé para a saída do útero. 

Além disso, importa referir a pertinência e a acção apaziguante do estudo sobre anatomia e fisiologia do processo de nascimento por parte da futura mãe e do futuro pai, figura importante para transmitir apoio emocional e segurança no plano masculino, que represente o arquétipo do mundo, do exterior. 

Para o efeito, um ambiente calmo, seguro e privado é essencial no momento do parto. Sem pessoas a correr, assustadas, a entrar e a sair do quarto da mãe, mas com total respeito e calma pelo momento mais bonito da vida do mundo, a entrada de uma nova alma. 

O mesmo de aplica à amamentação: preparar apoio e ajuda para o pós-parto permite que a mãe se concentre no seu bebé e na amamentação, se for esta a sua escolha e vontade. Nem sempre as maternidades apoiam da melhor forma a mãe, quer pela falta de informação quer pela escassez de profissionais. O sucesso do parto e da amamentação é muito influenciado pelo trabalho espiritual e mental que a mãe faz durante a gravidez, tomando consciência do seu poder, da sua vontade e contacto com a sua intuição, entrando numa bolha com uma vibração diferente do restante mundo. 

Para informação médica e científica sobre o medo e a dor no parto, por favor lê o livro Childbirth Without Fear- The principles and Practices of Natural Childbirth, de Grantly Dick-Read, Pinter and Martin, Great Britain, 2013

Com amor, Rute Candeias Vinagre

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